do berçário poético
inda menino me catavento
onde o relógio não me faz sombra
onde o espelho não me faz silêncio
noturno
no quarto escuro, a escureza
salienta
o silêncio
saudosismo
um trem de ferro vai para
os longes vai para a
fábula vai para sempre
poesia
multicolorir os ceróis, os sóis cruéis
me põe a salvo? me põe como que
um algo sedado: isso me basta?
procura
uma sempiterna lamparina!
que me alveje toda ilusão de treva
que me desnoturne toda cegueira adquirida
por ofício
minha viola, minha sanfona ensaiam
algum relento que dê alguma
asfixia ao revólver
docilidade
minha avó uma só singeleza
: mal sabem que já matou
um seu estuprador nos dentes



















