quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O deleite


Antecipação da manhã

A TV a
inda ligada a
lumbra
tua pele nua na cama
e se te levantas tua
nu
dez adoça
a severidade do quarto

deixa vertigem na an
tecipação da manhã

teu perfume feliz feito
de noite enfim despida
colide com a mobília

apesar de já se ouvir lá fora
a velocidade dos veículos
que estragam a aurora

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Um afago entre pele e alma


Canto

I

Se te toco onde
seja úmido o segredo

cantarolas
orquídeas
azaléias

com
a face
a fome
a fonte

à completa
espreita

II

Deflagro meu tato
todo em ti.
Fico fácil – até fútil
(animal eriçado
à mercê de tua busca)

quarta-feira, 16 de julho de 2008


Homenagem do Cão para sua Dona Morta

Na casa toda varrida de câncer,
o gemido (o uivo): o último
arpejo,
antes do definitivo
si
lêncio:
eu,
também,
morro em reverência.

(Poema do livro inédito "Quebrantos, relances e abismos ao relento")